Bloqueio e distúrbios em escolas. Setor público francês em greve contra congelamento salarial

Bloqueio e distúrbios em escolas. Setor público francês em greve contra congelamento salarial

Em vésperas de ser apresentado o Orçamento para 2027, o setor público em França está em greve e está prevista uma jornada nacional de protestos dos trabalhadores, principalmente contra a falta de aumentos salariais.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Lucien Libert - Reuters

Está a ser uma manhã de tensão em França, com a greve da função pública. Professores, profissionais de saúde, funcionários da administração local, polícias e bombeiros estão em greve para pressionar o Governo antes dos debates sobre o Orçamento de 2027, que podem congelar os salários do setor público pelo quarto ano consecutivo.

Uma coligação de sindicatos da função pública desafiou quase seis milhões de trabalhadores a contestarem nas ruas o congelamento salarial, previsto para o próximo ano. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, apresenta na quinta-feira a proposta orçamental para 2027 e espera-se que a paralisação tenha impacto nos transportes, nas escolas e nos serviços do Estado.

Os sindicatos, que já tinham rejeitado os anúncios iniciais do orçamento, estão a exigir aumentos salariais para acompanhar a inflação.

Mais de 170 manifestações são esperadas em todo o país, atendendo à convocação de um amplo grupo intersindical para exigir "recursos orçamentários compatíveis" com as missões dos serviços públicos, avança o Le Monde.

Os sindicatos esperam mobilizar o maior número possível de servidores públicos para influenciar a decisão do governo sobre o próximo orçamento.

Os bombeiros também devem aderir à greve. Entre 5.000 e 10.000 bombeiros são esperados na marcha em Paris. Espera-se que entre 20.000 e 40.000 pessoas participem no protesto marcado para a capital francesa.
Movimento estudantil
Entretanto, quase 200 escolas foram bloqueadas e há registo de distúrbios em algumas instituições de ensino. O Governo francês diz que 14 por cento dos professores estão em greve. Os sindicatos falam em 40 por cento.

A principal associação estudantil também está a convocar bloqueios de escolas em todo o país, coincidindo com os protestos dos professores.

"Decidimos estender a todo o país o que está a acontecer na região da Île-de-France, porque essas questões afetam o país inteiro", disse Ryad Rani, presidente do movimento estudantil da USL, à agência de notícias francesa AFP.

As reivindicações da organização incluem soluções para a "falta geral de recursos", "salas de aula superlotadas" – com números que às vezes chegam a 32 ou 35 alunos – e a "escassez de professores e funcionários", incluindo enfermeiros escolares e supervisores de alunos.
Pelo menos 164 pessoas foram detidas durante as manifestações de estudantes e bloqueios de segunda-feira em liceus da região de Paris.

Uma dezena de liceus da região da Ilha de França têm estado bloqueados pelos estudantes há uma semana, que protestam contra salas de aula superlotadas, falta de docentes e horários que consideram excessivamente sobrecarregados.

Os protestos escalaram para uma situação de "violência urbana", nas palavras do ministro do Interior francês, Laurent Núñez.

Várias pessoas ficaram feridas nos distúrbios, incluindo "doze membros das forças de segurança", "oito docentes, incluindo três diretores" e "uma dezena de estudantes do ensino secundário", segundo o balanço do Ministério do Interior.

Isto não foi "uma manifestação típica", mas sim "violência urbana". "Os indivíduos estavam encapuçados, armados com projéteis e, claramente, queriam confrontar as forças de segurança", explicou o ministro.

O principal sindicato estudantil, a União Sindical de Liceus (USL), apelou ao bloqueio de liceus em toda a França nesta terça-feira, por ocasião do dia de mobilização no setor público.

O movimento de protesto estudantil é motivo de confronto entre o Governo conservador e o partido de esquerda França Insubmissa (LFI) a sete meses das eleições presidenciais.

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